A crucificação de Jesus foi um
momento determinante para todos nós. Foi neste exato momento, na cruz do
calvário, que Jesus nos abriu o acesso ao Pai, nos deu sua mãe Maria como nossa
mãe e pelo seu coração transpassado, nos deu a graça da cura interior.
Mesmo sofrendo aquela terrível
dor, com o corpo todo dilacerado pelos açoites, com pés e mãos transpassados
por pregos, coroado por espinhos pontiagudos, sendo insultado e caçoado, Jesus
não permitiu que seu coração se enchesse de ressentimento e rapidamente perdoou
a todos os que o penduraram naquela cruz. “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem” (Lc. 23,34) E ao perdoar Jesus conseguiu identificar ali mesmo um
fato novo, e muito concreto, que poderia inocentar a culpa dos que o matavam,
Ele percebeu, que aquele povo não sabia o que fazia e portanto era também digno
de perdão.
Depois disso, um soldado abriu
seu lado com uma lança e de seu coração, imediatamente jorrou sangue e água (Jo
19,34) como prova de toda sua misericórdia, não somente com os que ali estavam,
mas para com toda a humanidade. Prova de um coração que é capaz derramar até a
última gota de sangue pela salvação de seu povo.
Por mais emocionante que seja
esta cena, não podemos ficar só na emoção. Não podemos mais pensar nestes
acontecimentos como meros fatos históricos, pois esta graça se atualiza a cada
instante. Jesus não é um Deus de antigamente. Alguém que passou por esta terra
e conquistou seu espaço por ser um personagem popular para sua época e ainda
hoje é lembrado. Ao contrário, Jesus está vivo, Ele é! E deseja muito ser o
Senhor da nossa história, ainda que seja difícil compreender.
Buscar a cura interior é isso! É
reviver o momento da crucificação de Jesus, unindo nosso sofrimento ao Dele,
permitindo que suas chagas curem as nossas dores. É Receber o perdão de Jesus e
com Ele aprender a perdoar, mergulhando todo o nosso ser em sua infinita
misericórdia.
“Em verdade, ele tomou sobre si
nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como
um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos
crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre
ele; fomos curados graças às suas chagas.” (Is. 53, 4-5)
Enias Costa
Membro da CCDE
