sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Advento: Significado e origem

Todos os grandes eventos exigem uma preparação. Por isso, a Igreja instituiu, na Liturgia, um período que antecede o Natal: o Advento que, ao longo da
história da Igreja, tomou diversas formas.

Receber uma visita é uma arte que uma dona de casa exercita com freqüência. E quando o visitante é ilustre, os preparativos são mais exigentes. Imagine o leitor que numa Missa de domingo seu pároco anunciasse a visita pastoral do bispo diocesano, acrescida de uma particularidade: um dos paroquianos seria escolhido à sorte para receber o prelado em sua casa, para almoçar, após a Missa.

Certamente, durante alguns dias, tudo no lar da família eleita se voltaria para a preparação de tão honrosa visita. A seleção do menu, para o almoço, o que melhorar na decoração do lar, que roupas usar nessa ocasião única. Na véspera, uma arrumação geral na casa seria de praxe, de modo a ficar tudo eximiamente ordenado, na expectativa do grande dia.

Essa preparação que normalmente se faz, na vida social, para receber um visitante de importância, também é conveniente fazer-se no campo sobrenatural. É o que ocorre, no ciclo litúrgico, em relação às grandes festividades, como por exemplo o Natal. A Santa Igreja, em sua sabedoria multissecular, instituiu um período de preparação, com a finalidade de compenetrar todas as almas cristãs da importância desse acontecimento e proporcionar-lhes os meios de se purificarem para celebrar essa solenidade dignamente. Esse período é chamado de Advento.

Significado do termo

Advento - adventus, em latim - significa vinda, chegada. É uma palavra de origem profana que designava a vinda anual da divindade pagã, ao templo, para visitar seus adoradores. Acreditava-se que o deus cuja estátua era ali cultuada permanecia em meio a eles durante a solenidade. Na linguagem corrente, significava também a primeira visita oficial de um personagem importante, ao assumir um alto cargo. Assim, umas moedas de Corinto perpetuam a lembrança do adventus augusti, e um cronista da época qualifica de adventus divi o dia da chegada do Imperador Constantino. Nas obras cristãs dos primeiros tempos da Igreja, especialmente na Vulgata, adventus se transformou no termo clássico para designar a vinda de Cristo à terra, ou seja, a Encarnação, inaugurando a era messiânica e, depois, sua vinda gloriosa no fim dos tempos.

Surgimento do Advento cristão

Os primeiros traços da existência de um período de preparação para o Natal aparecem no século V, quando São Perpétuo, Bispo de Tours, estabeleceu um jejum de três dias, antes do nascimento do Senhor. É também do final desse século a "Quaresma de São Martinho", que consistia num jejum de 40 dias, começando no dia seguinte à festa de São Martinho.

São Gregório Magno (590- 604) foi o primeiro Papa a redigir um ofício para o Advento, e o Sacramentário Gregoriano é o mais antigo em prover missas próprias para os domingos desse tempo litúrgico.

No século IX, a duração do Advento reduziu-se a quatro semanas, como se lê numa carta do Papa São Nicolau I (858-867) aos búlgaros. E no século XII o jejum havia sido já substituído por uma simples abstinência.

Apesar do caráter penitencial do jejum ou abstinência, a intenção dos papas, na alta Idade Média, era produzir nos fiéis uma grande expectativa pela vinda do Salvador, orientando-os para o seu retorno glorioso no fim dos tempos. Daí o fato de tantos mosaicos representarem vazio o trono do Cristo Pantocrator. O velho vocábulo pagão adventus se entende também no sentido bíblico e escatológico de "parusia".

O Advento nas Igrejas do Oriente

Nos diversos ritos orientais, o ciclo de preparação para o grande dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo formou-se com uma característica acentuadamente ascética, sem abranger toda a amplitude de espera messiânica que caracteriza o Advento na liturgia romana.

Na liturgia bizantina destaca-se, no domingo anterior ao Natal, a comemoração de todos os patriarcas, desde Adão até José, esposo Cristo Rei.jpgda Santíssima Virgem Maria. No rito siríaco, as semanas que precedem o Natal chamam-se "semanas das anunciações". Elas evocam o anúncio feito a Zacarias, a Anunciação do Anjo a Maria, seguida da Visitação, o nascimento de João Batista e o anúncio a José.

O Advento na Igreja Latina

É na liturgia romana que o Advento toma o seu sentido mais amplo. Muito diferente do menino pobre e indefeso da gruta de Belém,nos aparece Cristo, no primeiro domingo, cheio de glória e esplendor, poder e majestade, rodeado de seus Anjos, para julgar os vivos e os mortos e proclamar o seu Reino eterno, após os acontecimentos que antecederão esse triunfo: "Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre as nações aterradas com o bramido e a agitação do mar" (Lc 21, 25). "Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem" (Lc 21, 36). É a recomendação do Salvador.

Como ficar de pé diante do Filho do Homem? A nós cabe corar de vergonha, como diz a Escritura. A Igreja assim nos convida à penitência e à conversão e nos coloca, no segundo domingo, diante da grandiosa figura de São João Batista, cuja mensagem ajuda a ressaltar o caráter penitencial do Advento.

Com a alegria de quem se sente perdoado, o terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: "Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto". É o domingo Gaudete. Estando já próxima a chegada do Homem- Deus, a Igreja pede que "a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens". Os paramentos são cor-de-rosa.

No quarto domingo, Maria, a estrela da manhã, anuncia a chegada do verdadeiro Sol de Justiça, para iluminar todos os homens. Quem, melhor do que Ela, para nos conduzir a Jesus? A Santíssima Virgem, nossa doce advogada, reconcilia os pecadores com Deus, ameniza nossas dores e santifica nossas alegrias. É Maria a mais sublime preparação para o Natal.

Coroa do Advento

Ela é tão simples quanto bonita: um círculo feito de ramos verdes, geralmente de ciprestes ou cedros. Nele coloca-se uma fita vermelha longa que, ao mesmo tempo enfeita e mantém presos à haste circular os ramos. Quatro velas de cores variadas completam essa bela guirlanda que, nos países cristãos, orna e marca há séculos a época do advento. A esta guirlanda dá-se o nome de Coroa do Advento.

Um antigo costume piedoso

Nos domingos de Advento, existe o piedoso costume de as famílias e as comunidades católicas se reunirem em torno de uma coroa para rezar. A "liturgia da coroa", como é conhecida esta oração, realiza-se de um modo muito simples. Todos os participantes da oração colocam-se em torno daquela guirlanda enfeitada e a cerimônia tem início, Em cada uma das quatro semanas do advento acende-se uma nova vela, até que todas sejam acesas.

O acender das velas é sempre acompanhado com um canto. Logo em seguida, lê-se uma passagem das Sagradas Escrituras que seja própria para o tempo do Advento e é feita uma pequena meditação. Depois disso é que são realizadas algumas orações e são feitos alguns louvores para encerrar a cerimônia. Geralmente a guirlanda da coroa, bem como as velas são bentas por um sacerdote.

Origem

A Coroa de Advento tem sua origem na Europa. No inverno, seus ainda bárbaros habitantes acendiam algumas velas que representavam a luz do Sol. Assim, eles afirmavam a esperança que tinham de que a luz e o calor do astro-rei voltaria a brilhar sobre eles e aquecê-los. Com o desejo de evangelizar aquelas almas, os primeiros missionários católicos que lá chegaram quiseram, a partir doscostumes dos da terra, ensinar-lhes a Fé e conduzi-los para Jesus Cristo. Foi assim que, criaram a "coroa do advento", carregada de símbolos, ensinamentos e lições de vida.

A forma circular

O círculo não tem princípio, nem fim. É interpretado como sinal do amor de Deus que é eterno, não tendo princípio e nem fim. O círculo simboliza também o amor do homem a Deus e ao próximo que nunca deve se acabar, chegar ao fim. O círculo ainda traz a ideia de um "elo" de união que liga Deus e as pessoas, como uma grande "Aliança".coroa_advento.jpg

Ramos verdes

Verde é a cor que representa a esperança, a vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida terrena. Os ramos verdes lembram as bênçãos que sobre os homens foram derramadas por Nosso Senhor Jesus Cristo, em sua primeira vinda entre nós e que, agora, com uma esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na segunda e definitiva volta dEle.

Quatro velas

O advento tem quatro semanas, cada vela colocada na coroa simboliza uma dessas quatro semanas. No início a Coroa está sem luz, sem brilho, sem vida: ela lembra a experiencia de escuridão do pecado.

À medida em que nos aproximamos do Natal, a cada semana do Advento, uma nova vela vai sendo acesa, representando a aproximação da chegada até nós Daquele que é a Luz do mundo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é quem dissipa toda escuridão, é quem traz aos nossos corações a reconciliação tão esperada entre nós e Deus e, por amor a Ele, a "paz na Terra entre os homens de boa vontade". (JSG)

Com esse tempo de preparação, quer a Igreja ensinar-nos que a vida neste vale de lágrimas é um imenso advento e, se vivermos bem, isto é, de acordo com a Lei de Deus, Jesus Cristo será nossa recompensa e nos reservará no Céu um belo lugar, como está escrito: "Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam" (1Cor 2, 9).

 (Fontes: Pe. Mauro Sérgio da Silva Isabel, EP; Revista Arautos do Evangelho, Dez/2006, n. 60, p. 18-19/ 
- http://www.acidigital.com)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

História da Solenidade de Cristo Rei

Por Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. 


Viva Cristo Rei!

Sabe-se que a Igreja encerra seu Ano Litúrgico com a Solenidade Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. No entanto, poucos se dão conta de que se trata de uma festa relativamente recente, pois só foi instituída em 1925, portanto há menos de cem anos.

Mas o que levou o papa Pio XI a dedicar a primeiríssima encíclica de seu pontificado à criação de uma festa de Cristo Rei? (cf. carta encíclica Quas primas, 11/12/1925).

No início do século XX, o mundo, que ainda estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e de ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçônica no México, anti-clericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte.

É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente incorreto”, o papa Pio XI institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa fé: mesmo em meio a ditaduras e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar, soberano, sobre toda a história da humanidade.

Recordar que Jesus é Rei do Universo foi um gesto de coragem do Santo Padre. Com as revoluções que se seguiram ao fim do primeiro conflito mundial, em 1917, o título de Cristo Rei tornara-se um tanto impopular. Se o Papa tivesse exaltado Jesus como profeta, mestre, curador de enfermos, servo humilde, vá lá! Qualquer outro título teria sido mais aceitável. Mas Cristo Rei?!…

Mesmo assim, nadando contra a correnteza e se opondo ao secularismo ateu e anti-clerical, o Vigário de Cristo na terra instituiu esta solenidade para nos recordar que todas as coisas culminam na plenitude do Cristo Senhor: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de todas as coisas” (Ap 1, 8). É necessário reavivar a fé na restauração e na reparação universal realizadas em Cristo Jesus, Senhor da vida e da história.

Com esta solenidade o Papa Pio XI esperava algumas mudanças no cenário mundial:
Que as nações reconhecessem que a Igreja dever estar livre do poder do Estado (Quas primas, 32).
Que os líderes das nações reconhecessem o devido respeito e obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo (Quas primas, 31).
Que os fieis, com a celebração litúrgica e espiritual desta solenidade, retomassem coragem e força e renovassem sua submissão a Nosso Senhor, fazendo com que ele reine em seus corações, suas mentes, suas vontades e seus corpos (Quas primas, 33).

Encerrar o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei é consagrar a Nosso Senhor o mundo inteiro, toda a nossa história e toda nossa vida. É entregar à sua infinita misericórdia um mundo onde reina o pecado.

Pilatos pergunta a Jesus se ele é rei. Nosso Salvador responde que seu Reino não é deste mundo. Ou seja, não é deste mundo “inventado” pelo homem e pelo pecado: o mundo da injustiça, da escravidão, da violência, do ódio, da morte e da dor. Ele é rei do Reino de seu Pai e, como rei-pastor, desde o alto da cruz, guia a sua Igreja em meio às tribulações.

Sabemos que o Reinado de Cristo não se realizará por um triunfo histórico da Igreja. É isto que nos recorda o Catecismo da Igreja Católica em seu número 677. Mesmo assim, no final, haverá sem dúvida uma vitória de Deus sobre o mal. Só que esta vitória acontecerá como acontecem todas as vitórias de Deus: através da morte e da ressurreição. A Igreja só entrará na glória do Reino se passar por uma derradeira Páscoa. A Esposa deve seguir o caminho do Esposo.

É assim que, nesta festa, o manto vermelho de Cristo assinala a realeza de Nosso Senhor, mas também nos recorda o sangue de tantos mártires Cristãos de nossa história recente. Foram fieis católicos que, ouvindo os apelos do Sucessor de Pedro, não tiveram medo de entregar suas próprias vidas e de morrer aos brados de “viva Cristo Rei!”

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Seis conselhos para manter-se longe do demônio

ROMA, 07 Nov. 14 / 12:27 pm (ACI/EWTN Noticias).- Valter Cascioli, médico psiquiatra e porta-voz da Associação Internacional de Exorcistas, ofereceu seis conselhos para evitar as armadilhas do demônio.

Em uma entrevista concedida ao Grupo ACI no dia 31 de outubro, Cascioli recordou que o demônio é real e a Bíblia fala dele em 118 passagens, 34 no Antigo Testamento e 84 no Novo Testamento, onde o diabo aparece com diferentes nomes como satanás, o maligno, ou o príncipe deste mundo.

A partir do Novo Testamento, Cascioli explica que o exorcismo “é um ministério de consolação e de libertação”.

“A tarefa é a de proteger da influência do maligno e libertar essas pessoas que são vítimas”, acrescenta.

Cascioli assegura que para manter o demônio longe, os cristãos devem viver a própria fé, estar em graça de Deus, seguir o magistério da Igreja Católica e seguir os Dez Mandamentos, mas, além disso, afirma que algumas “regras simples” podem ser seguidas e ajudam muito:

1.      Converter-se a Cristo: “Mudar de vida, quem vive no pecado deve decidir-se por Cristo”.

2.      Confessar-se: “Não há sacramento mais importante que o da confissão, a reconciliação, o perdão. Há muitas pessoas que vivem das consequências do mal por causa do não perdão”.

3.      Participar da celebração da Eucaristia: “Aconselhamos a todas as pessoas a viverem uma vida sacramental, e depois da confissão é necessário o sacramento da Eucaristia dentro da celebração eucarística”.

4.      Falar com Deus. A oração é muito importante, porque atrai a graça de Deus e protege de muitas coisas.

5.      Aprofundar na nossa fé com a comunidade. Cascioli explica que as pessoas em dificuldade devem fazer um caminho de fé dentro da Igreja, e seguir uma comunidade ou um movimento eclesial. “Nós citamos um: Renovação Carismática Católica, que conta com mais de 100 milhões de pessoas”.

6.      Afastar-se do pecado é afastar-se do diabo. “Muitas pessoas vêm a nós porque têm medo do diabo, mas não têm medo do pecado, não se protegem. Por isso é fundamental evitar estas consequências nefastas, físicas, psicológicas, morais, espirituais”.

O perito explicou que muitas pessoas sofrem por anos antes de serem libertadas do maligno. “Quando vemos que se convertem a Cristo, quando confessam seus pecados, quando se distanciam de uma vida desordenada, é quando conseguem libertar-se, a serenidade e a paz voltam para elas e se curam”, e “se estas regras fossem aplicadas poderiam ajudar muitas pessoas”.

O perito afirma que o aumento destes fenômenos obedece à diminuição da fé na sociedade e ao aumento do interesse e das práticas relacionadas com o mundo do esoterismo, ocultismo e satanismo.

Sobre a celebração do Halloween na noite anterior à Festa de Todos os Santos, Cascioli explica que essa noite esconde uma problemática muito séria com a ridicularização da morte.

“Para os ocultistas e os satanistas –afirma-, a noite de 31 de outubro é justamente uma ocasião propícia para cumprir ritos mágicos, sacrilégios, profanações de cemitérios e malefícios, porque neste dia se celebra o fim do ano satânico. Razão pela qual se fazem missas negras, ritos de adoração, de iniciação e de consagração a satanás”.

Por último, o perito assinala que embora a Associação Internacional de Exorcistas esteja formada por 250 exorcistas, existem muitos mais no mundo. “Sabemos que alguns países do mundo não têm exorcistas, a atividade demoníaca e suas consequências estão estendidas por todo mundo. Não é um fenômeno sociocultural, está estendido em todo mundo, e isso nos diz muitas coisas”.

O psiquiatra indicou que o número de exorcistas aumentou nos últimos anos, embora ainda existam países no mundo que precisam da presença deles. “Eu digo sempre que é uma exigência, está-se convertendo em uma emergência pastoral porque está em aumento o número de moléstias devido à atividade demoníaca extraordinária, posses e obsessões com o demônio estão aumentando, portanto, está-se convertendo em uma emergência pastoral e surge a necessidade de enfrentar esta situação, especialmente graças à obra dos exorcistas”, concluiu.

sábado, 8 de novembro de 2014

Festa de dedicação à catedral da Diocese de Roma

No dia 9 de novembro, celebramos a festa da dedicação à Basílica de São João de Latrão, catedral da Diocese de Roma. Nela, está o trono papal (Cathedra Romana), o que a coloca acima de todas as igrejas do mundo, inclusive da Basílica de São Pedro. Tem o título honorífico de Omnium Urbis et Orbis Ecclesiarum Mater et Caput (Mãe e Cabeça de todas as Igrejas de Roma e do Mundo).

Quando uma festa litúrgica em honra do Cristo ocorre no Domingo, ela se torna solenidade. É o caso de hoje: a Dedicação à Basílica de Latrão, Catedral do Papa, Bispo de Roma.
No século IV, o Imperador Constantino deu este grande edifício ao Papa São Silvestre I, que o consagrou, dedicando-o a Deus como Catedral de Roma. A nova Catedral foi dedicada ao Divino Salvador e, mais tarde, também aos santos João Batista e João Evangelista. Como se localiza numa antiga chácara da nobre família romana dos Laterani, foi chamada popularmente de São João do Latrão. Por isso a presente solenidade nos traz à mente e ao coração três aspectos da nossa fé.

Primeiro: Todo templo cristão dedicado a Deus é imagem do próprio Cristo. Ele, no Seu Corpo Ressuscitado, é o verdadeiro Templo, do qual o templo de Jerusalém era apenas uma imagem e profecia: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei”. Mas Jesus estava falando do seu corpo.

É do Corpo Ressuscitado do Senhor, verdadeiro Templo, que brota a água da vida, símbolo do Espírito Santo. É a esta realidade tão bela e misteriosa que alude a leitura de Ezequiel: “A água corria do lado direito do Templo”. Estas águas correm para a região oriental, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornarão saudáveis. Haverá vida onde o rio chegar. Nas margens do rio, crescerá toda espécie de árvores frutíferas, as quais servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.
A imagem é bela, rica, intensa: a água que brota do lado direito do Cristo transpassado é o Espírito Santo, dado pelo Senhor à Igreja e à humanidade, para que n’Ele tenhamos a cura dos nossos pecados e a vida em abundância. Por tudo isso, veneramos e respeitamos nossos templos: eles são imagem do próprio Corpo Ressuscitado de Cristo, fonte do Espírito e lugar de encontro com o Pai. Por isso, toda igreja mais importante – as paroquiais e, sobretudo, as catedrais -, são dedicadas a Deus, como Cristo que foi todo consagrado ao Pai.

Segundo: A Igreja é, primeiramente, a Comunidade: “Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário d’Ele e que o Seu Espírito mora em vós? O santuário do Senhor é santo, e vós sois esse santuário!”
Nossos templos são chamados de “igreja”, porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo.
Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos, neste mundo, e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!” Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo. E este edifício é a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo.

Irmãos, a Igreja somos nós, chamados a assumir nossa parte na edificação do Reino do céu. Na Igreja, não somos espectadores; mas atores, participantes! Não nos omitamos, portanto; não recebamos a graça de Deus em vão! Tornamo-nos Igreja pelo batismo, o qual nos fez membros do Corpo de Cristo. Em cada Eucaristia, vamos nos tornando sempre mais corpo de Cristo até sermos plenamente configurados com ele na glória. Então, não recebamos em vão tamanha graça!

Terceiro: A Basílica de Latrão é a Catedral da Igreja de Roma, a Catedral do Papa. Na sua entrada, há uma inscrição: “Mãe de todas as igrejas da cidade e do mundo”. Compreendamos! A Igreja de Roma (isto é, a Arquidiocese de Roma) é a Igreja de Pedro e de Paulo, é a Igreja que preside a todas as outras dioceses do mundo, é a mais venerável de todas as igrejas da Terra.
Santo Inácio de Antioquia referia-se a ela, lá pelo ano 97, com indizível veneração. Numa carta que endereçou aos cristãos romanos, o Santo Bispo de Antioquia escrevia: “À Igreja objeto de misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo Seu único Filho, amada e iluminada na vontade daquele que conduz à realização todas as coisas que existem, segundo a fé e o amor de Jesus Cristo nosso Deus, à mesma que também preside na região dos romanos, digna de Deus, de honra, digna de louvor e sucesso e colocada acima das demais na caridade, que possui a lei de Cristo e o nome do Pai”.

O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. Por isso, hoje, unimo-nos à Igreja de Roma, na festa da dedicação, da consagração da sua catedral, a Basílica do Latrão.
A catedral de cada diocese é a igreja do bispo, sucessor dos apóstolos. Quanto mais a catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro! Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as igrejas da cidade e do mundo”. Assim sendo, a festa de hoje nos convida também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Bento XVI. Convida-nos a estreitar nossos laços com Roma e o Papa, retomando nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou Sua Igreja.

Num mundo tão complexo, com tantas ideias, opiniões e modas, num Cristianismo que vê surgir tantas seitas sem nenhum fundamento teológico, sem nenhuma seriedade ou enraizamento na Tradição Apostólica, fazendo um terrível mal à fé dos simples e desavisados, reafirmemos nossa comunhão firme, profunda e convicta com a Igreja de Roma e seu Bispo, a quem o Cristo entregou, de modo particular, as chaves do Reino e lhe deu a missão de confirmar, na fé, os irmãos. A comunhão com Roma é garantia de estar naquela comunhão que Cristo sonhou para a Sua Igreja; é garantia de permanecer na fé apostólica, transmitida, de uma vez por todas, é garantia de não cair num tipo de Cristianismo alheio àquilo que o Senhor Jesus pensou e estabeleceu.

Que a festa hodierna seja uma feliz ocasião para professar, na exultação e no louvor, a nossa fé católica, da qual nos ufanamos com humildade e na qual esperamos ser salvos. Amém!

Fonte: http://blog.cancaonova.com/pelomundo/2012/11/festa-de-dedicacao-a-catedral-da-diocese-de-roma/

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O que a Bíblia diz sobre purgatório?

Para onde iria uma alma que não é bastante santa para ir para o céu e nem tão pecadora para ir para o inferno?

O purgatório é um ‘local’ onde ficam as almas que morrem em estado de graça, isto é, sem pecado mortal, mas que tem ‘penas temporais’ ainda a expiar por seus pecados ou algumas imperfeições (ou pecados veniais) que não foram suficientemente purificadas, pois no céu ‘nada de impuro pode entrar’ (Ap. 21, 27).

O Purgatório é uma verdade positivamente revelada por Deus, que não admite dúvida. Disse Jesus, um dia, à multidão de povo que acabava de ouvir o sublime sermão das bem-aventuranças: ‘Reconcilia-te com o teu adversário… enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário de entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que, de modo nenhum, sairás dali, enquanto não pagares até o último ceitil’ (Mt 5, 25-26).

Jesus acabara de dizer que os seus discípulos deveriam ser o ‘sal da terra e a luz do mundo’ (Mt. 5, 13), continuando a traçar as normas a seguir para evitar o inferno e chegar ao céu.

‘Digo-vos’, diz o Mestre, ‘que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no céu’ (Mt 5, 20). Eis o céu bem indicado.

O inferno não o é menos que: ‘Se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um de teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno’ (Mt 5, 29).

Eis como, no mesmo capítulo do Evangelho segundo São Mateus, Nosso Senhor trata do Céu, do inferno e do purgatório; pois o texto citado refere-se claramente ao purgatório. Está no texto e no contexto que não se trata de uma simples comparação.

Aliás, o contexto mostra claramente que não se trata de uma cadeia material – pois Nosso Senhor não teria como afirmar que a pessoa não sairia dali enquanto não pagasse até o último ceitil. Trata-se de uma prisão à qual Nosso Senhor tem soberania, é Ele quem manda e decide.

Como não pode se tratar do inferno, visto que o inferno é eterno (Mt 25, 41), e não se trata de uma prisão material trata-se, pois, de uma prisão temporária, onde as almas sofrem, por certo tempo, em expiação de seus pecados; onde são purgadas das faltas leves, que não merecem o inferno, mas impedem de entrar no céu. ‘Nada de impuro entrará no céu’ (Apoc 21, 27).

Outra alusão à existência do purgatório encontramos em I Cor 3, 12-15: ‘…Aquele, cuja obra (de ouro, prata, pedras preciosas) sobre o alicerce resistir, esse receberá a sua paga, aquele, pelo contrário, cuja obra, (de madeira, feno, ou palha), for queimada, esse há de sofrer prejuízo; ele próprio, porém, poderá salvar-se, mas como que através do fogo’.

Depois, temos o uso da razão. Para onde iria uma alma que não é bastante santa para ir para o céu e nem tão pecadora para ir para o inferno? Ela deve ir para um local de expiação, que é o purgatório.

O texto mais expressivo sobre a existência do purgatório é o do Livro II dos Macabeus (XII, 43), o qual narra como Judas Macabeu mandou oferecer um sacrifício pelos que haviam morrido na batalha, por exemplo, por expiação de seus pecados: ‘Judas, tendo feito uma coleta, mandou duas mil dracmas de prata a Jerusalém, para se oferecer um sacrifício pelo pecado. Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição… Santo e salutar pensamento de orar pelos mortos. Eis porque ele ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres de seus pecados.’

Ora, ser livre de seus pecados, depois da morte, pelo sacrifício expiatório, indica claramente a existência do purgatório.

O Concílio Tridentino (Sess. XXV, D.B. 983), define como verdade de fé a existência do purgatório.

Entre outras testemunhas cristãs dos primeiros séculos, escreve Tertuliano: ‘A esposa roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferecem sufrágios todos os dias de aniversários de sua morte.’ (De Monogamia, 10)

Fonte: Lepanto

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Celebração da vida e da esperança

No dia 2 de novembro, celebramos de modo especial a memória dos nossos irmãos já falecidos, rogando a Deus por eles. A liturgia realça a ressurreição e a vida, tendo como referência a própria ressurreição de Cristo. Embora sintamos a morte de alguém, acreditamos na vida eterna. Por isso Santo Agostinho nos recomenda: “Saudade sim, tristeza não.”

ORIGEM - A lembrança dos falecidos sempre esteve presente nas celebrações da Igreja, com um momento especial na missa, desde início do cristianismo. Já no primeiro século, os cristãos rezavam pelos falecidos, visitavam os túmulos dos mártires nas catacumbas para orar por eles. No século IV, já se encontra a memória dos mortos na celebração da missa. Desde o século V a Igreja dedica um dia por ano para fazer oração por todos os falecidos. Mais tarde, fixou-se o dia 2 de novembro como dia especial de oração pelos mortos.

SOLIDARIEDADE ESPIRITUAL - De acordo com a doutrina cristã, existe um estado de purificação, depois da morte, chamado Purgatório. “Os que morrem reconciliados com Deus, mas carregando faltas, misérias, dívidas espirituais por pecados cometidos, necessitam se purificar para que possam entrar no Reino de Deus, que é o reino da santidade perfeita. Rezamos pelos nossos mortos, pois a Igreja ensina que, pela solidariedade espiritual que existe entre os batizados, temos condições de oferecer preces, sacrifícios em sufrágio das almas do purgatório.” Por isso oferecemos orações e missas pelos falecidos.

SENTIDO DO DIA - Na piedade popular inspirada em nossa fé católica, o Dia de Finados é marcado por três características: é o dia da saudade, o dia de fazer memória, o dia de professar a fé na ressurreição. É dia da saudade, pois nos faz sentir a ausência de quem foi presença em nossas vidas; ao mesmo tempo que se sente a ausência, revive-se a presença. Mas a memória dos entes queridos que partiram é confortada pela nossa fé na ressurreição. Se a certeza da morte nos entristece, a promessa da ressurreição nos faz viver da esperança de que a morte não é o fim da vida, mas é a passagem de uma vida peregrinante por este mundo para a vida na pátria definitiva.

VIDA TRANSFORMADA - Para o cristão, a morte é o início de uma nova etapa. Embora a tristeza nos domine quando perdemos um ente querido, a esperança nos consola, pois, como rezamos na Liturgia, “para os que crêem, a vida não é tirada, mas transformada; e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível.” A fé na ressurreição encoraja nosso viver e nos impulsiona à prática do bem, deixando-nos conduzir pelo Espírito Santo. 

GARANTIA DE RESSURREIÇÃO - O Apóstolo Paulo nos ensina: “Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também aos vossos corpos mortais.” Para essa esperança, o próprio Deus nos deu a garantia ressuscitando o seu Filho Jesus. Se Deus ressuscitou a Ele, então nós temos a prova de que este Deus não deixa os mortos na morte. Se Deus ressuscitou Jesus, diz Paulo, então “Ele também ressuscitará a todos nós.” (1 Cor 6,14) 

CHAMADOS À RESSURREIÇÃO - Na Profissão de Fé rezamos: Creio na ressurreição, creio na vida eterna. Que essa fé nos impulsione na caminhada até Deus, seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo. Assim construiremos uma vida feliz que se realizará de forma plena e perfeita após a morte, quando seremos envolvidos pelo abraço amoroso de nosso Pai. Todos morremos mas somos chamados à ressurreição por Cristo. Por isso o Dia de Finados é um convite a celebrarmos a vida e a esperança.

Dia de Finados: comemoração dos fiéis defuntos
Prof. Renold J. Blank

A festa de finados nos confronta ano por ano com a mesma questão: o que aconteceu com os nossos mortos? Será que eles desapareceram para sempre? Ou será que eles entraram em novos ciclos de reencarnação, de tal maneira que voltarão em outra época e em outra forma, para viverem mais uma vida? Ou será que eles chegaram àquelas outras dimensões, das quais a religião cristã nos fala? Três possibilidades. Três alternativas. Qual delas é a verdadeira? Quem tem razão? A pergunta está sendo formulada. E diante do fato de nossa morte, da morte de nossos entes queridos, se exige uma resposta.

O Apocalipse de São João, numa visão grandiosa nos apresenta a imagem de “uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7,9), reunidos em torno de Deus numa felicidade inimaginável. Eles “não mais têm fome nem sede, nem cairá sobre eles o sol nem calor algum” (Ap 7,16). Na imagem desta multidão, o autor do apocalipse quer transmitir aquilo que é o centro da Boa Nova cristã. A certeza de que o nosso destino final não será em algum lugar assombroso dos mortos, nem num “xeol” despersonalizado, nem numa nova vida terrena depois de mais uma reencarnação.

O nosso destino final é a comunhão pessoal e íntima com Deus. É este o plano dele e é para isso que Ele nos criou. Para que nele e através dele cheguemos à nossa plenificação. Esta plenificação, no entanto, não é o resultado de centenas e milhares de vidas, vividas no decorrer de sempre novas reencarnações. Ela é dom e graça de Deus que ama. De um Deus que se apaixonou por nós, e que, por causa disso, nos ressuscitará depois de uma única vida, para que sejamos para sempre unidos a Ele. Unidos com aquele que nos ama, numa êxtase de amor, pela qual o apóstolo Paulo, balbuciando, só consegue dizer que “nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais penetrou no coração do homem, o que Deus preparou para aqueles que amam.” ( 1 Cor 2,9)

No festa de Finados exprimimos a esperança de que os nossos entes queridos que já morreram já chegaram a este destino. Destino de todos nós. Destino planejado para nós, por um Deus que nos ama. Destino feliz, de tal maneira que o Dia de Finados pode ser uma das nossas maiores festas. Uma das nossas celebrações mais alegres e felizes, porque aqueles que nós amávamos já chegaram a um destino tão maravilhoso. O que nós celebramos neste dia, é a festa da ressurreição dos nossos entes queridos, e a esperança firmemente fundamentada em Jesus Cristo, que também nós, um dia, vamos ressuscitar. 

(Extraído de “Consolo para quem está de luto” - Edições Paulinas)
Fonte: http://www.diocesedepiracicaba.org.br

domingo, 26 de outubro de 2014

Halloween é contrário à fé católica

A Arquidiocese do México, em um artigo sobre a festa de Halloween no semanário "Desde la Fe", disse que "se procuramos ser fiéis à nossa fé e aos valores do Evangelho, teríamos que concluir que a atual festa do Hallowen não só não tem nada a ver com a celebração que deu origem, mas também é nociva e contrária à fé e a vida cristã". (acidigital.com – 29/10/2007). A Arquidiocese considera que o Halloween "rende honra a uma cultura da morte, que é produto da mescla de costumes pagãos" e o mais grave "é que a festividade foi se identificando com grupos neopagãos e celebrações satânicas e ocultistas".

No texto intitulado "Perguntas frequentes sobre o Halloween", o Arcebispado afirma que essa celebração dista muito do que devem celebrar os cristãos, por isso exortou aos fiéis a não celebrar o Halloween. Afirma ainda que em alguns países como México, Irlanda e Estados Unidos são realizadas, durante esta festa, missas negras, cultos esotéricos e outras reuniões relacionadas com o mal e o ocultismo".

O artigo também questiona o costume, principalmente entre crianças, de disfarçarem-se de bruxas, vampiros, fantasmas e monstros, e convida os pais a, no dia 1º de novembro, disfarçarem seus filhos de personagens bíblicos ou alguma pessoa que "saibam que foi boa e que, portanto, certamente estará no céu".

O Halloween é uma festa muito comum nos EUA e na Europa e é celebrada no dia 31 de Outubro, mas é de origem pagã. A comemoração veio dos antigos Celtas, um povo que habitava a Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia, Irlanda) há mais de 2 mil anos, vindos da Ásia. Os Celtas realizavam a colheita nessa época do ano e, segundo um antigo ritual de sua religião druida, os espíritos das pessoas mortas voltariam à Terra durante a noite, no último dia do ano, que para eles era o dia 31 de outubro. Os mortos queriam, entre outras coisas, alimentar-se e assustar as pessoas. Acreditavam também no aparecimento das bruxas, consideradas mulheres que tinham vida sexual com demônios e que faziam muito mal às pessoas, ao gado etc. 

Com isso, os Celtas costumavam se vestir com máscaras assustadoras para afastar os espíritos e as bruxas. Esse episódio era conhecido como o “Samhaim”. Com o passar do tempo, os cristãos chegaram à Grã-Bretanha, converteram os Celtas, especialmente com o trabalho de São Patrício no século IV e São Columbano no século VI. Com isso, a Igreja Católica transformou este ritual pagão em uma festa religiosa. Ela passou a ser celebrada nesta mesma época e, ao invés de honrar espíritos e forças ocultas, o povo recém catequizado deveria honrar os santos. Daí veio o “All Hallows Day”: o dia de Todos os Santos. 

A tradição entre estes povos continuou e, além de celebrarem o dia de Todos os Santos, eles celebravam também a noite da véspera do dia de Todos os Santos com as máscaras assustadoras e com a comida. A noite era chamada de “ All Hallows Evening”, abreviando-se, veio o Halloween. 

Vemos assim que a tradição de comemorar as bruxas ou outros espíritos não é cristã e deve ser evitada, ainda que tenha apenas uma conotação folclórica. Devemos, sim, celebrar o dia de todos os Santos. 

As informações deste artigo foram retiradas da revista de Dom Estevão Bettencourt (PR n.464/2001, pág.47s)

Professor Felipe Aquino
Escritor e Apresentador da Tv Canção Nova

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Castidade, uma prova de amor

Ter relações sexuais antes do casamento parece ser uma prática tão comum hoje em dia que as pessoas pouco se questionam sobre o assunto. Os jovens exigem isso um do outro como “‘prova de amor”‘, como um sinal de que a relação já está amadurecida; como o passo seguinte, natural, de um relacionamento onde já se experimentou de tudo, onde o enfoque não está no crescimento e conhecimento mútuos e muito menos na vontade de Deus, mas na satisfação dos seus próprios desejos e impulsos, de sua curiosidade pessoal, de sua insegurança de ser amado, do seu medo de perder o parceiro.

É espantoso ver como a maioria dos jovens, e mesmo alguns pais, encaram o ato sexual como uma etapa “natural” do relacionamento anterior ao matrimônio… desde que a moça não fique grávida.

A total facilidade de adquirir “pílulas anticoncepcionais” ou preservativos (distribuído gratuitamente em campanhas do governo e até em encartes de jornais) teve o poder de destruir aquele que parecia ser o único freio para as relações sexuais pré-matrimoniais: o medo da gravidez.

A “liberdade e absoluta segurança” prometidas e desenvolvidas pela técnica e ciência vêm de encontro à tendência hodierna de dar mais crédito ao científico que à fé. O resultado é que muitos jovens, mal preparados para discernir entre a verdade e a mentira acabam deixando-se levar pela ilusão de que tudo o que vem da ciência é “bom”, “seguro”, aconselhável.

Trata-se da inocência e da falta de preparo do jovem que acaba influenciado por uma mentalidade relativista. Ele passa também a não ter critérios objetivos para saber o que é “bem” e o que é “mal”. Como todos à sua volta, acredita ser um bem aquilo que lhe satisfaz, que lhe dá prazer, que proporciona uma “‘sensação” de bem-estar, que o faz ser aceito e acatado no meio dos outros jovens.

É fácil perceber que onde estes dois caminhos não levam Àquele que disse: “Seja o vosso ‘sim’, sim e o vosso ‘não’, não. Tudo o que passa disto vem do Maligno’. (Mat 5,37) As coisas acabam por ficar tão confusas e nebulosas para a maioria das pessoas que mesmo algumas, ligadas à Igreja, afirmam temerariamente que o sexo antes do casamento, assim como a masturbacão individual ou a dois não apresenta problemas. É o que Sto. Domingo chama de “moral de situação”, onde mesmo pessoas de fé esclarecida se deixam influenciar pela pressão social e psicológica dos argumentos que o mundo apresenta, esquecendo-se da dimensão da fé e da graça.

Em primeiro lugar, no matrimônio, não se utiliza o termo “relação sexual”, mas “ato conjugal”.

Isto se dá exatamente porque é aí que se expressa o “amor conjugal”, aquele tipo de amor humano que recebeu de Deus, através do sacramento do matrimônio uma graça especial que o elevou de tal modo que ele une em si o divino e o humano, como afirma a encíclica Gaudium et Spes, no n° .49.

As pessoas, hoje em dia, não entendem muito a dimensão e a importância da graça. O resultado é que ficam presos a um moralismo seco e estéril, que leva a uma lista vazia e sem sentido do que é “permitido” ou do que é “proibido”. O moralismo não leva a nada, é uma pregação infrutífera (e, infelizmente, muitas vezes, a mais comum) que leva o homem a contar apenas consigo mesmo.

Muito diferente é o caso da graça. Através do sacramento do matrimônio, Deus confere aos esposos uma graça especialíssima: seu amor humano é mergulhado no amor que une a própria Trindade. Toma-se, assim, um amor humano-divino, que expressará de maneira concreta e visível o amor da mesma Trindade para o mundo. Isto não é pouca coisa, de jeito nenhum! casal9

E neste ambiente onde os esposos podem, sempre, contar com a “graça de estado” do matrimônio que o amor criador de Deus (existente no seio da Trindade com quem o Pai criou todas as coisas), que eles podem cumprir o seu papel de co-criadores, no sentido de gerar novas vidas para Deus. Exercem, assim, o direito e o dever de paternidade que Deus lhes delega pela graça do sacramento do matrimônio.

Assim, os filhos do casal não pertencem aos dois, mas a Deus. Não são educados segundo o que os dois pensam ou acham; são educados segundo o que Deus pensa, segundo a Sua vontade e para a alegria de Deus e dos irmãos. Os filhos, nesta dimensão, deixam de ser uma posse dos pais e passam a ser o que realmente serão por toda a eternidade: filhos de Deus.

Seu matrimônio, da mesma forma, não existe para o bem deles somente, mas principalmente para que através dele possam ambos, com os filhos, servir e amar melhor a Deus, finalidade última do matrimônio.

Quando a gente entende o sentido do matrimônio, a gente compreende o papel do ato conjugal dentro dele e pode discernir toda a dimensão empobrecedora e degradante das relações sexuais fora do matrimônio. As pessoas que se casam conscientes de que estão sendo feitas, pela graça, uma só carne e um só espírito, enxergam a amplitude do seu ato: não estão realizando um compromisso entre os dois, o que seria inteiramente humano e, neste caso, pecaminoso. Estão realizando um compromisso entre si e com Deus. É Deus quem sela e realiza este compromisso de unidade. É Ele quem o sustenta e faz crescer com a Sua graça e a participação generosa dos esposos.

Tem muita gente boa hoje em dia que pensa que o que une o homem a uma mulher, o que os faz ser um é o fato de terem um relacionamento sexual pleno. Isto não é verdade. O homem ou a mulher não têm o poder de se tornarem um. O poder de tornar duas pessoas uma só é uma prerrogativa divina, uma exclusividade do Espírito Santo, que faz una a Trindade, a Igreja, o casal que passou pelo sacramento do matrimônio.

Outra idéia errônea é pensar-se que o que faz com que duas pessoas sejam uma é o amor. Como vimos, o sacramento do matrimônio eleva o amor humano de duas pessoas a uma dimensão divina, coisa que só Deus pode fazer; coisa de que nenhum amor humano é capaz. Seria, então, uma ilusão pensar-se que é o amor que transforma duas pessoas em uma só. O amor é o veículo da vontade humana que, unido ao amor e à vontade divina, diz o seu “sim” para toda a eternidade. Só o Espírito Santo tem o poder de .tornar duas pessoas uma só carne e um só espírito.

E este é o único problema de ter relações sexuais antes do casamento?

O ato conjugal (relações sexuais no matrimônio) é o único tipo de relacionamento sexual pleno abençoado e reconhecido por Deus. Somente ele expressa a unidade da Trindade, somente ele conta com a graça e a bênção de Deus. As relações sexuais fora do matrimônio não contam nem com a graça nem com a bênção de Deus, por mais excitantes, românticas e emocionantes que possam ser. Não são as emoções que medem o valor de um ato para Deus, mas a obediência à Sua vontade, a abertura à Sua graça. As relações fora do casamento não apresentam estas características.

Pelo contrário, este tipo de relacionamento é eminentemente egoísta, fechado em si mesmo, escravo da auto¬satisfação, escravizador e escravizante. É uma busca de prazer pelo prazer, sem responsabilidade nenhuma, por mais que os dois prometam amar o outro para sempre e nunca deixá-lo. É esta situação contrária à vontade de Deus que deixa um grande vazio e sentimento de solidão e escravidão à situação e ao outro envolvido nela.

O amor, pelo contrário, é aberto para a vontade de Deus, promotor do bem do outro, de sua felicidade e satisfação. O amor é, essencialmente, libertador. Busca a vontade de Deus e, porque é maduro, é também responsável diante de Deus, diante do outro e diante da sociedade. Não se fecha ridiculamente em um mundinho a dois, mas abre-se para o serviço e amor a Deus e a todos os homens.

Mas, com o casamento o amor acaba?

É absolutamente inacreditável que hoje se seja forçado a responder a uma pergunta destas. No entanto, infelizmente, é esta a idéia que nós, bobinhos, “engolimos” através dos meios de comunicação, que afirmam “retratar” uma realidade quando, no entanto, são muito mais agentes e promotores irresponsáveis de uma mentalidade pagã. Com isso, destroem não somente a fé, mas vão além: destroem a dignidade da pessoa humana e o fim para o qual ela foi criada. Pagarão suas contas diante de Deus pelos milhões de almas que vêm iludindo e levando a uma mentalidade indigna da condição humana.

É relevante que nos países europeus se tenham feito grandes campanhas para tirar do ar novelas brasileiras por considerá-las nocivas à moral e aos costumes do povo. Nós, ao contrário, aplaudimos como bobos toda a porcaria que vem envolvida na atraente roupagem da mídia. E, se a mídia diz que o casamento acaba o amor, nós acreditamos como inocentes úteis que contribuem para aumentar sua renda.

Não temos discernimento nem critério firme de valores e, mesmo que com nossas palavras afirmemos que não cremos em uma coisa destas, nossas atitudes são de quem quer aproveitar de tudo o que o “amor” pode dar “antes que a gente se case e os filhos e a vida venham atrapalhar o nosso amor” .

Se você pensa assim, pelo amor de Deus, não se case. Você não sabe o que é o amor. Você não aprendeu ainda a beleza do matrimônio. Não é ainda digno dele. Se a Igreja visse o sexo como um mal estaria irremediavelmente separada de Deus e de Jesus. O homem foi criado por’ Deus como um ser sexuado e sua sexualidade permeia todo o seu ser físico, psíquico e, conseqüentemente, espiritual.

É a sua sexualidade que o faz co-criador no sentido da paternidade e também no sentido da cultura. É ela quem o prepara para o amor santo e puro, tanto por alguém do mesmo ou de outro sexo, no caso da amizade, como por alguém do sexo complementar (Não “oposto”! Os sexos não se opõem, complementam-se!).

O prazer que resulta e estimula uma amizade entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos complementares, assim como o prazer que resulta e estimula o relacionamento e o ato conjugal, é uma linguagem pela qual se expressa estima, apreciação, amor, amizade, partilha, complementação, crescimento, libertação.

A Igreja, como o Evangelho e o próprio Jesus, abençoam o prazer como uma linguagem, pois ele promove o homem. Repudiam, porém, o prazer pelo prazer, ou seja, o prazer como um fim, porque este degrada o homem.

É importante frizar que isto não se dá somente com relação ao ato conjugal, mas igualmente com relação a toda interação humana sadia. Também em uma amizade pode-se buscar o prazer pelo prazer: o prazer de estarem juntos em todo momento e circunstância, a busca de satisfazer o desejo de estarem juntos como uma alimentação do próprio desejo e não visando o bem do outro é uma busca egoísta do prazer, que acaba em apegos e fechamento.

Infelizmente temos visto inúmeros jovens, solteiros e casados, que sofrem por toda a sua vida as conseqüências de uma sexualidade mal vivida. É preciso não ter medo de ser puro; não ter medo de preservar-se para o amor de dimensões divino-humanas do matrimônio ou de qualquer outra vocação que se abrace por amor  a Deus e para melhor servi-Lo.


Fonte: http://www.comshalom.org/castidade-uma-prova-de-amor/

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Nossa Senhora Aparecida - Padroeira do Brasil

No ano de 1717, Dom Pedro de Almeida e Portugal, Conde de Assumar, passou na então Vila de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, com destino a Minas Gerais.

A Câmara local, empenhada em receber tão grande autoridade, cuidou de preparar um banquete à altura da importante visita. Para tanto, pescadores locais foram convocados a trazer muito peixe para o conde e sua comitiva. A ordem foi prontamente atendida pelos pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, que lançaram suas redes no porto de Itaguaçu (no rio Paraíba). Seus esforços revelaram-se inúteis. Fizeram uma segunda tentativa, próximo a Guaratinguetá. Dessa vez, para surpresa deles, a rede trouxe uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, sem a cabeça. Após mais alguns lançamentos da rede, conseguiram a parte que faltava à escultura. Lavaram cuidadosamente a imagem e envolveram-na em panos, prosseguindo a pesca. Tantos peixes vieram à rede que tiveram de finalizar seus trabalhos. Filipe Pedroso, homem piedoso, guardando as redes, levou a imagem para casa. Era, de fato, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, feita de terra-cota, de cor escura.

O pescador ficou com esta imagem em seu poder durante 15 anos. Quando mudou-se para Itaguaçu, deixou-a com seu filho Atanásio, que construiu um singelo oratório-capela, local em que amigos e vizinhos se encontravam para rezar o terço. Então, iniciam-se os prodígios. Certa noite, durante a oração do terço, as velas, que iluminavam a imagem, apagaram-se subitamente, sem que houvesse nenhuma corrente de ar que justificasse tal acontecimento. Uma senhora chamada Silvana Rocha dirigiu-se ao altar para acendê-las novamente. Foi então que tudo se aclarou, as velas se acenderam novamente, sem intervenção de ninguém. Outro acontecimento que mereceu registro foi o de um escravo, de nome Zacarias, que dirigiu-se a Virgem para lhe suplicar que o libertasse do jugo de um senhor cruel. Grande milagre sucede: caem-lhe das mãos as correntes de ferro, sinal de sua condição de escravo. Nossa Senhora atendera seus rogos. Assim, Zacarias tornou-se um homem livre e feliz. As correntes do escravo começaram a enriquecer o acervo dos milagres. E cada vez mais foram aumentando as graças concedidas por Nossa Senhora. Era imperioso construir-se uma capela maior num local mais adequado e maior.

O vigário de Guaratinguetá pediu licença ao então Bispo do Rio de Janeiro e, uma vez escolhido o Morro dos Coqueiros como lugar mais apropriado, em 1743 se iniciou a construção de uma espaçosa capela, que ficou concluída em 1745. No dia 26 de julho, na Festa de Santana, foi benta e celebrou-se a primeira Santa Missa. E as romarias foram-se multiplicando. A capela foi diversas vezes reformada e aumentada, até que, em 1846, começou a ser substituída pela atual. Aos 8 de dezembro de 1888, o novo santuário foi bento e inaugurado pelo Bispo D. Lino Rodrigues de Carvalho.

Em 1894, chegam os Missionários Redentoristas, que iniciaram um admirável trabalho de evangelização e acolhida dos peregrinos. E difundiram por todo o País a devoção a Senhora Aparecida.

No dia 8 de setembro de 1904, Dom José de Camargo Barros colocou sobre a imagem da Virgem uma coroa de ouro e pedras preciosas doada pela Princesa Isabel. O 25º aniversário da coroação da imagem, em setembro de 1929, foi de um brilho inigualável. Grandes romarias, belas celebrações e um Congresso Mariano demonstraram o afeto que a Nação inteira devotava a Virgem Aparecida. Nas sessões deste congresso, os fiéis manifestaram o desejo de que Nossa Senhora Aparecida fosse declarada Padroeira do Brasil. O Papa Pio XI, sensível aos anseios do povo brasileiro, assinou a 16 de julho de 1930 o decreto em que proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira da Nação Brasileira. Diz o decreto: 'Declaramos e constituímos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de Aparecida, Padroeira de todo o Brasil.'

Em 1931, a imagem visitou a então Capital Federal, a cidade do Rio de Janeiro, pela iniciativa do Cardeal D. Sebastião Leme.

Mais de um milhão de fiéis, aclamaram Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil.

Com o passar do tempo, a devoção a Nossa Senhora Aparecida foi aumentando cada vez mais. A primeira Basílica tornou-se pequena. Era necessária a construção de outro templo, bem maior, que pudesse acomodar a tantos romeiros. Por iniciativa dos Missionários Redentoristas e dos senhores Bispos, teve início no dia 11 de novembro de 1955 a construção da atual Basílica Nova, o maior Santuário Mariano do mundo.

Em 1980, ainda em construção, foi consagrada pelo Papa João Paulo II e recebeu o título de Basílica Menor. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida Santuário Nacional.


Fonte: cancaonova.com

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Santa Terezinha – Padroeira das Missões


Neste mês dedicado às missões, refletindo sobre a vocação de todo batizado, a Igreja nos dá como modelo uma jovem carmelita francesa, nascida no final do século XIX. Trata-se de Santa Terezinha do Menino Jesus(ou Tereza de Lisieux), que foi proclamada padroeira das missões pelo Papa Pio XI em 14 de dezembro de 1927, juntamente com São Francisco Xavier.

Pode parecer muito estranho o fato de termos como Padroeira das Missões alguém que jamais saiu de seu Carmelo em Lisieux, mas, olhando mais profundamente, descobrimos em Terezinha um coração essencialmente missionário. “No coração me repercutia, continuamente, o brado de Jesus na Cruz: “Tenho sede!” Estas palavras acendiam em mim um ardor estranho e muito vivo” MA 134. Terezinha sentia-se devorada pela sede das almas, pelo desejo de salvá-las da perdição eterna. Em seu coração cultivava desejos grandiosos de, por Jesus, para amá-lO e fazê-lO amado, fazer todas as coisas possíveis e imagináveis. “Quisera percorrer a terra, apregoar teu nome (…) Quisera ser missionário não só por alguns anos, mas quisera sê-lo desde a criação do mundo e até a consumação dos séculos.” MB 251

Terezinha sabia, entretanto, de sua pequenez. Embora tivesse “olhos e coração de águia”, ou seja, cultivasse grandes desejos, sabia que ela mesma era um pequeno passarinho, capaz apenas de pequenas coisas. Essa consciência de sua pequenez levou-a a uma grande descoberta, que fez com que seu grande desejo de missão se tornasse realizável: “Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja atuarem, e que se o amor se extinguisse, os Apóstolos já não anunciariam o Evangelho e os Mártires se recusariam a derramar seu sangue… Compreendi que o amor abrange todas as vocações (…) Sim, encontrei meu lugar na Igreja (…) No coração da Igreja, minha Mãe, serei o amor” MB 254. Terezinha descobriu que todas as coisas, se feitas com amor e por amor, tornam-se uma oferta agradável a Deus, capaz de salvar almas: “Um alfinete pego no chão por amor pode salvar uma alma.”

Com sua vida, Terezinha nos mostra que cada um de nós é chamado e pode ser um grande missionário, através desse amor vivido com oferta a Deus, nas pequenas coisas!

Que o seu exemplo encha nossos corações desse mesmo ardor, a fim de que façamos de cada pequena ocasião uma oportunidade de amar a Deus e de salvar as almas.

Anelisa Savani

Disponível em: http://pantokrator.org.br/po/artigos-pantokrator/santa-terezinha-padroeira-das-missoes/

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ser ou Tornar-se?

Certamente muitas vezes nos fazemos perguntas do tipo: “Quem sou eu? O que devo ser? Como?… Afinal de contas, como é que eu sou mesmo? Ah… Deixa pra lá… O importante é continuar a vida.”

Confundimo-nos o tempo todo acerca de nós mesmos e preferimos até não entrarmos profundamente nesses questionamentos existenciais.

Na verdade, nos tempos de hoje, muitas pessoas vão se tornando um pouco de cada coisa que admira, de um ator ou atriz que ache perfeito, de um modelo que a sociedade cria como padrão, de uma moda do momento, de alguém de quem gosta ou com quem convive, sem se dar conta de que O QUE SE É não pode ser substituído e nem deve SE TORNAR desfigurado. Aqui entra então uma pergunta chave: SER OU TORNAR-SE? São duas perguntas que talvez tenham uma só resposta.

Muitas vezes parece que se não entrarmos neste ou naquele padrão deixamos de existir, deixamos de ser importantes, deixamos de SER. E isto não é verdade, só poderemos de fato existir quando assumirmos quem NÓS SOMOS: Filhos de Deus, chamados a NOS TORNARMOS santos, a sermos no meio da massa um diferencial, assumirmos uma individualidade original, sem diminuir a personalidade, as qualidades, os talentos. Pelo contrário, assim é que vamos potencializar o que há de melhor em nós.

 O SER está ligado diretamente a nossa identidade ontológica, mais original, em outras palavras a nossa perfeição querida por Deus. A partir daí vem o TORNAR-SE. SER aquilo que Deus me criou para ser e TORNAR-ME aquilo que sempre fui em seu coração. Observando por este ângulo, nos parece que as duas coisas na verdade são uma só.

Recordemo-nos aqui das palavras de São João Paulo II: TU TE TORNAS AQUILO QUE CONTEMPLAS. É preciso perceber onde estão parando os nossos olhos, quais valores temos absorvido nestes tempos, o que tem sido a minha pedra de toque, aquela que por ela eu escolho me definir ou até me desenhar, me modelar…

TORNAR-SE é voltar, mudar para, recuperar, cair em si, restituir… Não podemos trilhar esse caminho tendo os modelos errados ou querendo diminuir o nosso ser ontológico e a vontade de Deus para nós. Faz-se necessário hoje se determinar pelo nosso original que só descobriremos na relação com Deus pela oração.

Como nos diz Santa Teresinha: SOU O QUE DEUS PENSA DE MIM. Conversar com Deus sobre nós mesmos deve se tornar interessante. Devemos substituir o medo ou o peso pela realização e admiração, porque descobrir-se é descobrir Deus e seu amor e vice-versa. Conversar sobre nossas escolhas, comportamentos, valores etc.

Conversar com Deus sobre nós deve ser tarefa diária, deve ser escolha constante porque nunca iremos encontrar quem somos e o que devemos nos tornar fora de nós ou em padrões em que queiramos nos encaixar. Esconde-se no coração de Deus o nosso SER MAIS PERFEITO e que deve ser o referencial para nós.

Não resta dúvida de que SER SANTO é SER PLENAMENTE ORIGINALE TORNAR-SE PLENAMENTE FELIZ. Isto não é uma mentira nem utopia.

Que São João Paulo II e Santa Teresinha intercedam por cada um de nós nesta busca pelo nosso SER E POR NOSSA SANTIDADE.

Disponível em: http://www.comshalom.org/ser-ou-tornar-se/

domingo, 21 de setembro de 2014

A Oração da Ave Maria com Pe. Paulo Ricardo



A saudação de São Gabriel à Santíssima Virgem ecoa ao longo dos séculos. Conheça mais a história da belíssima oração da “Ave Maria” e entenda como a piedade filial dos primeiros cristãos a Nossa Senhora continua presente nos lábios dos fiéis católicos de todo o mundo.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Porquê setembro é considerado o mês da Bíblia?

“Quão saborosas são para mim vossas palavras, mais doces que o mel à minha boca” (Sl 118, 103).

 “Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos. E uma luz em meu caminho” (Sl 118, 105).

A Igreja no Brasil dedica o mês de setembro a Bíblia. Sem dúvida é uma iniciativa muito importante.  A motivação vem do fato da  Igreja celebrar em 30 de setembro a memória do grande santo e doutor da Igreja, São Jerônimo, que a pedido do Papa Dâmaso (366-384) preparou uma boa tradução da Bíblia em latim, a partir do hebraico e do grego; a chamada Vulgata. Foi um trabalho gigantesco que demandou cerca de 35 anos nas grutas de Belém, onde ele fazia esse oficio, vivendo uma austera vida de oração e penitência. São Jerônimo dizia que quem não conhece os Evangelhos não conhece Jesus.

São Jerônimo (347-420), chamado de “Doutor Bíblico”,  nasceu na Dalmácia e educou-se em Roma; é o mais erudito dos Padres da Igreja latina; sabia o grego, latim e hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379, foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de São Gregório Nazianzeno e amigo de São Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Papa São Dâmaso. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustochium) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de São Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor a Igreja e à Sé de Pedro.

Conhecer a Palavra de Deus é fundamental para todo cristão. A Carta aos hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).
Jesus conhecia profundamente a Bíblia e a citava.  Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto ele venceu o demônio lançando em seu rosto, por três vezes, a santa Palavra.  Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães, para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3c).

Quando o tentador exigiu que Ele se jogasse do alto do templo, Jesus respondeu: “Não tentarás o Senhor; vosso Deus” (Dt 6,16a). E quando Satanás tentou fazer com que Ele o adorasse, ouviu mais uma vez a Palavra de Deus: “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás” (Dt 6,13).
O demônio não tem força diante da Palavra de Deus lançada em seu rosto; por isso, cada um de nós precisa conhecer o poder dela. Jesus morreu rezando todo o Salmo 21: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Sl 21,2).

É preciso ler e estudar a Bíblia regularmente, todos os dias; aquecer a alma com um trecho dela; e saber usá-la nos momentos de dor, dúvida, angústia, medo, etc. Abra a Palavra, deixe Deus falar a seu coração. E fale com Deus; é a maneira mais fácil de rezar.
O Espírito Santo nos ensina essa verdade, pela boca do profeta Isaías; cuja boca tornou “semelhante a uma espada afiada” (Is 49,2):
“Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a sua missão” (Is 55,10).
A palavra de Deus é transformadora, santificante. São Paulo explica isso a seu jovem discípulo Timóteo, com toda convicção:
“Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça” (2Tm 3,16).

Ela é, portanto um instrumento indispensável para a nossa santificação. Não conseguiremos ter “os mesmos sentimentos de Cristo” (Fil 2,5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e conhecer a sua santa palavra. São Jerônimo, dizia que “quem não conhece o Evangelho não conhece Jesus Cristo”.
Jesus nos ensina que “a Escritura não pode ser desprezada” (Jo 10,34). São Paulo recomendava a Timóteo”: “aplica-te à leitura da Palavra” (1Tm 4,13). Ela não é palavra humana, mas “palavra de Deus.. que age eficazmente em vós” (1Ts 2,13).

Jesus é a própria Palavra de Deus, o Verbo de Deus que se fez carne (Jo 1,1s). No livro do Apocalipse São João viu o Filho do homem…” e de sua boca saia uma espada afiada, de dois gumes” (Ap 1,16). É o símbolo tradicional da irresistível penetração da palavra de Deus.
São Pedro diz que renascemos pela força dessa palavra.
“Pois haveis renascidos, não duma semente corruptível, mas pela Palavra de Deus, semente incorruptível, viva e eterna”, (1 Pe 1,23) e, como disse o profeta Isaias: “a palavra do Senhor permanece eternamente” (Is 11,6-8).

Quando avisaram a Jesus que a Sua mãe e os seus irmãos queriam vê-lo, o Senhor disse: “Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 8,21). “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lc 11,28).
Pela boca do profeta Amós, o Espírito Santo disse: “Eis que vem os dias… em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas fome e sede de ouvir a palavra do Senhor” (Am 8,11). Graças a Deus esses dias chegaram !

Quando Jesus explicava as Escrituras para os discípulos de Emaús, eles sentiam “que se lhes abrasava os corações” (Lc 24,32). Todos os santos, sem exceção, mergulharam fundo as suas vidas nas santas Escrituras e deixaram-se guiar  pelos ensinamento da Igreja.
São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,20-21).
É preciso estudar a Bíblia, fazer um curso bíblico, porque ela não é sempre fácil de ser entendida. Ela não é um livro de ciência, mas, sim, de fé. Utilizando os mais diversos gêneros literários, ela narra acontecimentos da vida de um povo guiado por Deus, desde quatro mil anos atrás, atravessando os mais variados contextos sociais, políticos, econômicos, etc. Por isso, a Palavra de Deus não pode sempre ser tomada ao “pé da letra”, literalmente, embora muitas vezes o deva ser. “Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Cor 3,6c).

É por isso, que Jesus confiou a interpretação dela a Igreja Católica, que a faz através do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa), e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado de todo o passado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou no passado e continua fazendo no presente. (cf. Jo 14, 15.25; 16, 12-13). A Igreja não erra na interpretação da Bíblia, e isso é dogma de fé. Jesus mesmo lhe garantiu isto: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).
A Bíblia interpretada erradamente pode levar a perdição; é o que diz São Pedro quando fala das Cartas de São Paulo: “É o que ele faz em todas as suas cartas… Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2 Pe 3,16).

E a Igreja não despreza a ciência; muito pelo contrário, a valoriza tremendamente para iluminar a fé. Em Jerusalém, por exemplo, está a Escola Bíblica que se dedica a estudar exegese, hermenêutica, línguas antigas, geologia, história antiga, paleontologia, arqueologia, e tantas outras ciências, a fim de que cada palavra, cada versículo e cada texto da Bíblia para interpretar corretamente a Revelação de Deus.

Prof. Felipe Aquino

Disponível em: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2014/09/18/setembro-o-mes-da-biblia/

domingo, 6 de abril de 2014

Beatos João paulo II e João XXIII - Breve Biografia

CIDADE DO VATICANO, domingo, 1º de maio de 2011 (ZENIT.org) 

Apresentamos a breve biografia oficial oferecida no Livreto da Celebração editado pela Santa Sé para a cerimônia, texto que foi lido pelo cardeal Agostino Vallini, vigário geral da diocese de Roma, durante o rito de beatificação. 

* * *


Karol Józef WoJtyła, eleito Papa a 16 de Outubro de 1978, nasceu em Wadowice (Polónia), a 18 de Maio de 1920. Foi o segundo de dois filhos de Karol Wojtyła e de Emília Kaczorowska, que faleceu em 1929. O seu irmão mais velho, Edmund, médico, morre em 1932, e o seu pai, oficial do Exército, em 1941.

Aos nove anos recebeu a Primeira Comunhão e aos dezoito o sacramento da Confirmação. Terminados os estudos na Escola Superior de Wadowice, inscreveu-se em 1938 na Universidade Jagellónica de Cracóvia.

Depois de as forças ocupantes nazis encerrarem a Universidade em 1939, o jovem Karol trabalhou (1940-1944) numa mina e, posteriormente, na fábrica química Solvay, para poder sustentar-se e evitar a deportação para a Alemanha.

A partir de 1942, sentindo-se chamado ao sacerdócio, frequentou o Curso de Formação do Seminário Maior clandestino de Cracóvia, dirigido pelo Arcebispo local, o Cardeal Adam Stefan Sapieha. Simultaneamente, foi um dos promotores do «Teatro Rapsódico», também este clandestino.

Depois da guerra, continuou os estudos no Seminário Maior de Cracóvia, novamente aberto, e na Faculdade de Teologia da Universidade Jagellónica, até à sua ordenação sacerdotal em Cracóvia a 1 de Novembro de 1946. Depois foi enviado pelo Cardeal Sapieha a Roma, onde obteve o doutoramento em Teologia (1948), com uma tese sobre o conceito da fé nas obras de São João da Cruz. Naquele período - durante as suas férias - exerceu o ministério pastoral entre os emigrantes polacos na França, Bélgica e Holanda.

Em 1948, regressou à Polónia e foi coadjutor, primeiro na paróquia de Niegowić, próxima de Cracóvia, e depois na de São Floriano, na própria cidade. Foi capelão universitário até 1951, quando retomou os seus estudos filosóficos e teológicos. Em 1953 apresentou na Universidade Católica de Lublin uma tese sobre a possibilidade de fundar uma ética cristã a partir do sistema ético de Max Scheler. Mais tarde, tornou-se professor de Teologia Moral e Ética no Seminário Maior de Cracóvia e na Faculdade de Teologia de Lublin.

Em 4 de Julho de 1958, o Papa Pio XII nomeou-o Bispo Auxiliar de Cracóvia e Titular de Ombi. Recebeu a ordenação episcopal em 28 de Setembro de 1958 na Catedral de Wawel (Cracóvia), das mãos do Arcebispo Eugeniusz Baziak.

A 13 de Janeiro de 1964 foi nomeado Arcebispo de Cracóvia pelo Papa Paulo VI, que o criou Cardeal a 26 de Junho de 1967.

Participou no Concílio Vaticano II (1962-65), dando um contributo importante na elaboração da Constituição Gaudium et Spes. O Cardeal Wojtyła tomou também parte na V Assembleia do Sínodo dos Bispos anterior ao seu Pontificado.

Foi eleito Papa em 16 de Outubro de 1978 e, em 22 de Outubro, deu início ao seu ministério de Pastor Universal da Igreja.

O Papa João Paulo II realizou 146 visitas pastorais em Itália e, como Bispo de Roma, visitou 317 das actuais 332 paróquias romanas. As viagens apostólicas pelo mundo - expressão da constante solicitude pastoral do Sucessor de Pedro por toda a Igreja - foram 104.

Entre os seus principais documentos, contam-se 14 Encíclicas, 15 Exortações Apostólicas, 11 Constituições Apostólicas e 45 Cartas Apostólicas. Ao Papa João Paulo II devem-se ainda 5 livros: «Atravessar o Limiar da Esperança» (Outubro de 1994); «Dom e Mistério: Nas minhas Bodas de Ouro Sacerdotais» (Novembro de 1996); «Tríptico Romano», meditações em forma de poesia (Março de 2003); «Levantai-vos! Vamos!» (Maio de 2004) e «Memória e Identidade» (Fevereiro de 2005).

O Papa João Paulo II celebrou 147 ritos de Beatificação - nos quais proclamou 1338 Beatos - e 51 Canonizações, com um total de 482 Santos. Realizou 9 Consistórios, nos quais criou 231 Cardeais (+ 1 in pectore). Presidiu ainda a 6 Reuniões Plenárias do Colégio Cardinalício.

Desde 1978, convocou 15 Assembleias do Sínodo dos Bispos: 6 gerais ordinárias (1980, 1983, 1987, 1990, 1994 e 2001), 1 assembleia-geral extraordinária (1985) e 8 assembleias especiais (1980, 1991, 1994, 1995, 1997, 1998 e 1999).

A 13 de Maio de 1981, na Praça de São Pedro, sofreu um grave atentado. Perdoou ao autor do atentado. Salvo pela mão materna da Mãe de Deus, submeteu-se a uma longa recuperação. Convencido de ter recebido uma nova vida, intensificou os seus empenhos pastorais com heróica generosidade.

A sua solicitude de Pastor manifestou-se, entre outras coisas, na erecção de numerosas dioceses e circunscrições eclesiásticas, na promulgação do Código de Direito Canónico Latino e das Igrejas Orientais, e na promulgação do Catecismo da Igreja Católica. Propôs ao Povo de Deus momentos de particular intensidade espiritual como o Ano da Redenção, o Ano Mariano e o Ano da Eucaristia, culminando no Grande Jubileu do Ano 2000. Foi ao encontro das novas gerações, com a celebração das Jornadas Mundiais da Juventude.

Nenhum outro Papa encontrou tantas pessoas como João Paulo II: nas Audiências Gerais das Quartas-feiras (cerca de 1160) participaram mais de 17 milhões e 600 mil peregrinos, sem contar as outras Audiências especiais e as cerimónias religiosas (mais de 8 milhões de peregrinos apenas no decorrer do Grande Jubileu do Ano 2000) e os milhões de fiéis contactados durante as visitas pastorais em Itália e no mundo; numerosas também as personalidades de Governo recebidas em Audiência: basta recordar as 38 Visitas Oficiais e as restantes 78 Audiências ou Encontros com Chefes de Estado, como também as 246 Audiências e Encontros com Primeiros-Ministros.

Morreu em Roma, no Palácio Apostólico do Vaticano, às 21.37h de sábado 2 de Abril de 2005, vigília do Domingo in Albis e da Divina Misericórdia, por ele instituído. Os funerais solenes na Praça de São Pedro e a sepultura nas Grutas Vaticanas foram celebrados a 8 de Abril.

Fonte: Zenit


PAPA JOÃO XXIII

Nasceu no dia 25 de Novembro de 1881 em Sotto il Monte, diocese e província de Bérgamo (Itália), e nesse mesmo dia foi baptizado com o nome de Angelo Giuseppe; foi o quarto de treze irmãos, nascidos numa família de camponeses e de tipo patriarcal. Ao seu tio Xavier, ele mesmo atribuirá a sua primeira e fundamental formação religiosa. O clima religioso da família e a fervorosa vida paroquial foram a primeira escola de vida cristã, que marcou a sua fisionomia espiritual.

Ingressou no Seminário de Bérgamo, onde estudou até ao segundo ano de teologia. Ali começou a redigir os seus escritos espirituais, que depois foram recolhidos no "Diário da alma". No dia 1 de Março de 1896, o seu director espiritual admitiu-o na ordem franciscana secular, cuja regra professou a 23 de Maio de 1897.

De 1901 a 1905 foi aluno do Pontifício Seminário Romano, graças a uma bolsa de estudos da diocese de Bérgamo. Neste tempo prestou, além disso, um ano de serviço militar. Recebeu a Ordenação sacerdotal a 10 de Agosto de 1904, em Roma, e no ano seguinte foi nomeado secretário do novo Bispo de Bérgamo, D. Giacomo Maria R. Tedeschi, acompanhando-o nas várias visitas pastorais e colaborando em múltiplas iniciativas apostólicas:  sínodo, redacção do boletim diocesano, peregrinações, obras sociais. Às vezes era também professor de história eclesiástica, patrologia e apologética. Foi também Assistente da Acção Católica Feminina, colaborador no diário católico de Bérgamo e pregador muito solicitado, pela sua eloquência elegante, profunda e eficaz.

Naqueles anos aprofundou-se no estudo de três grandes pastores:  São Carlos Borromeu (de quem publicou as Actas das visitas realizadas na diocese de Bérgamo em 1575), São Francisco de Sales e o então Beato Gregório Barbarigo. Após a morte de D. Giacomo Tedeschi, em 1914, o Pade Roncalli prosseguiu o seu ministério sacerdotal dedicado ao magistério no Seminário e ao apostolado, sobretudo entre os membros das associações católicas.

Em 1915, quando a Itália entrou em guerra, foi chamado como sargento sanitário e nomeado capelão militar dos soldados feridos que regressavam da linha de combate. No fim da guerra abriu a "Casa do estudante" e trabalhou na pastoral dos jovens estudantes. Em 1919 foi nomeado director espiritual do Seminário.

Em 1921 teve início a segunda parte da sua vida, dedicada ao serviço da Santa Igreja. Tendo sido chamado a Roma por Bento XV como presidente nacional do Conselho das Obras Pontifícias para a Propagação da Fé, percorreu muitas dioceses da Itália organizando círculos missionários.

Em 1925, Pio XI nomeou-o Visitador Apostólico para a Bulgária e elevou-o à dignidade episcopal da Sede titular de Areopolis.

Tendo recebido a Ordenação episcopal a 19 de Março de 1925, em Roma, iniciou o seu ministério na Bulgária, onde permaneceu até 1935. Visitou as comunidades católicas e cultivou relações respeitosas com as demais comunidades cristãs. Actuou com grande solicitude e caridade, aliviando os sofrimentos causados pelo terremoto de 1928. Suportou em silêncio as incompreensões e dificuldades de um ministério marcado pela táctica pastoral de pequenos passos. Consolidou a sua confiança em Jesus crucificado e a sua entrega a Ele.

Em 1935 foi nomeado Delegado Apostólico na Turquia e Grécia:  era um vasto campo de trabalho. A Igreja tinha uma presença activa em muitos âmbitos da jovem república, que se estava a renovar e a organizar. Mons. Roncalli trabalhou com intensidade ao serviço dos católicos e destacou-se pela sua maneira de dialogar e pelo trato respeitoso com os ortodoxos e os muçulmanos. Quando irrompeu a segunda guerra mundial ele encontrava-se na Grécia, que ficou devastada pelos combates. Procurou dar notícias sobre os prisioneiros de guerra e salvou muitos judeus com a "permissão de trânsito" fornecida pela Delegação Apostólica. Em 1944 Pio XII nomeou-o Núncio Apostólico em Paris.

Durante os últimos meses do conflito mundial, e uma vez restabelecida a paz, ajudou os prisioneiros de guerra e trabalhou pela normalização da vida eclesial na França. Visitou os grandes santuários franceses e participou nas festas populares e nas manifestações religiosas mais significativas. Foi um observador atento, prudente e repleto de confiança nas novas iniciativas pastorais do episcopado e do clero na França. Distinguiu-se sempre pela busca da simplicidade evangélica, inclusive nos assuntos diplomáticos mais complexos. Procurou agir sempre como sacerdote em todas as situações, animado por uma piedade sincera, que se transformava todos os dias em prolongado tempo a orar e a meditar.

Em 1953 foi criado Cardeal e enviado a Veneza como Patriarca, realizando ali um pastoreio sábio e empreendedor e dedicando-se totalmente ao cuidado das almas, seguindo o exemplo dos seus santos predecessores:  São Lourenço Giustiniani, primeiro Patriarca de Veneza, e São Pio X.

Depois da morte de Pio XII, foi eleito Sumo Pontífice a 28 de Outubro de 1958 e assumiu o nome de João XXIII. O seu pontificado, que durou menos de cinco anos, apresentou-o ao mundo como uma autêntica imagem de bom Pastor. Manso e atento, empreendedor e corajoso, simples e cordial, praticou cristãmente as obras de misericórdia corporais e espirituais, visitando os encarcerados e os doentes, recebendo homens de todas as nações e crenças e cultivando um extraordinário sentimento de paternidade para com todos. O seu magistério foi muito apreciado, sobretudo com as Encíclicas "Pacem in terris" e "Mater et magistra".

Convocou o Sínodo romano, instituiu uma Comissão para a revisão do Código de Direito Canónico e convocou o Concílio Ecuménico Vaticano II. Visitou muitas paróquias da Diocese de Roma, sobretudo as dos bairros mais novos. O povo viu nele um reflexo da bondade de Deus e chamou-o "o Papa da bondade". Sustentava-o um profundo espírito de oração, e a sua pessoa, iniciadora duma grande renovação na Igreja, irradiava a paz própria de quem confia sempre no Senhor. Faleceu na tarde do dia 3 de Junho de 1963.

Fonte: Vatican.va