sábado, 27 de julho de 2013

Cura Interior: fruto de perseverança

Quando temos a coragem de olhar para dentro de nós mesmos e nos deparamos com tantas questões conflituosas e inacabadas, às vezes caímos na tentação de pensar que somos fracos demais para continuar, e acabamos por desistir do nosso processo de cura interior, assumindo mais uma vez para nós as culpas, os traumas, enfim, a posição de vítima que tanto nos machuca.
Nestes momentos de crise que podem nos levar ao desânimo, precisamos reconhecer que necessitamos de ajuda, recorrendo a pessoas que nos ensinam a ser perseverantes. Precisamos recorrer a amigos que testemunham com alegria Jesus Cristo, e que de preferência já tenham passado por um processo de cura interior, mas além disso, necessitamos de recorrer também a amigos do Céu, que com sua intercessão nos ajudem a permanecer fiéis diante das tribulações.
Ao percorrermos toda a Sagrada Escritura, nos deparamos com as histórias de pessoas que assim como nós tiveram muitas limitações, mas nem por isso desistiram de lutar pela santidade. É o caso por exemplo de Abraão, de Davi, de Pedro, de Tomé e de tantos outros que erraram, sofreram, mas não desistiram no meio do caminho.
Com perseverança na oração é que vamos conquistando os poucos à vitória sobre as feridas do nosso coração.
Rezemos juntos com Santo Agostinho:


 “Senhor, meu Deus, minha única esperança, ouve-me para que eu procure sempre a Tua face com ardor. Dá-me forças para procurar a Ti que deixas encontrar e nos dás a esperança de sempre mais e mais Te encontrarmos. 
Diante de Ti estão minha força e minha fraqueza: conserva uma e cura a outra! 
Diante de Ti está o meu saber e a minha ignorância: Onde abriste, recebe-me quando errar. Onde me vedaste a entrada, abre quando eu bater. 
Em Ti quero pensar, a Ti conhecer e amar. 
Que tudo isto cresça em mim até que me transformes na consumação final.”                             

Enias Costa
Membro da C.C.D.E.

domingo, 21 de julho de 2013

Por que batizar as crianças?

Certamente essa é uma dúvida que sempre nos assola, ainda mais pelo fato de sempre existir irmãos de outras denominações a questionarmos de forma bem perniciosa. Por isso no Catequese desse mês viemos esclarecer essa dúvida, para que nossa fé venha ser mais firme e viva.

O batismo de crianças na Igreja Católica existe desde os tempos dos apóstolos, mas infelizmente os irmãos protestantes insistem em dizer que esse batismo é contrário a Bíblia e que para ser batizado, a pessoa precisa se arrepender dos pecados e a criança não tem essas condições.

Vejamos então através de passagens bíblicas que o batismo de criança está na Bíblia. Em At. 16,14-15 conta-se a conversão de Lidia, uma vendedora de púrpura que, atenta ao que Paulo dizia, abriu o coração e depois “recebeu o batismo com toda sua família.” Agora imaginem, será que naquela família não existiam crianças também? Mais adiante em At 16,32-33 conta a conversão de outra família, a do carcereiro que após lavar as chagas dos apóstolos “imediatamente foi batizado, ele e toda sua família.” E nesta família do carcereiro, também não existiam crianças? Criança também não faz parte da família? Ainda mais em uma época onde não existia controle de natalidade. Quando as passagens se referem a “casa”, “família”, também se refere a crianças, mesmo que não deixe claro, mas é algo obvio. Assim como essas passagens existem outras como em I Co. 1,16, onde Paulo diz ter batizado Estéfanas e toda sua família.

Naquela época sabemos que os adultos eram batizados em maioria, o fato disso porque ninguém conhecia a Jesus Cristo, então os apóstolos ao anunciaram a Cristo em seguida batizavam toda a família. Existe também o questionamento da quantidade de água para ser batizado, e muitos pregam que a pessoa deve mergulhar em piscinas ou onde tenha bastante água, mas pense, será que quando os apóstolos pregavam no deserto e batizavam famílias, eles percorriam quilômetros para encontrar algum rio para mergulhar a família ou usavam uma pequena quantidade de água, qualquer que tinham consigo? Vemos o Batismo não é medido pela quantidade de água.

Encontramos também testemunhos dos padres da Igreja sobre o batismo como esse de S. Irineu (140-205): “Jesus veio salvar todos os que através dele nasceram de novo em Deus: os recém-nascidos, os meninos, os jovens e os velhos.” E este de S. Cipriano (258): “Do Batismo e da graça não devemos afastar as crianças.”

Por isso meus irmãos, o Batismo de crianças da Igreja Católica é o verdadeiro e não contradiz com a Bíblia. Deve-se sim batizar as crianças, para que elas insiram no Corpo de Cristo que é a Igreja, para que iniciem a fé, livres da macha do pecado original que Eva e Adão nos deixaram e o qual já nascemos. O Batismo é esse que vem para lavar-nos. Não deixe de batizar o seu filho quando criança, pois ninguém deixa de colocar o filho na escola quando pequeno, assim o vale para o Batismo e iniciação cristã.

Daiane C. Paula
Membro da CCDE



Católicos em ordem de batalha

A palavra católico vem do grego kat’holikos e quer dizer completo, conforme o todo, ou seja, para ser um autêntico católico temos que abraçar o todo, e este todo contém a Sagrada Escritura, a Tradição Apostólica (“Portanto, irmãos, ficai firmes; guardai as tradições que vos ensinamos oralmente ou por escrito”. 2 Tes 2, 15) e o Magistério da Igreja.


O problema encontrado neste contexto é que muitos não querem abraçar o todo, mas querem abraçar pedaços, mas especificamente partes que lhe são convenientes. Tornam-se, portanto, os hereges da atualidade. A palavra herege, também do grego hairesis, significa escolher preferir apenas um pedaço.


Se faz necessário, portanto, como São Paulo, cairmos do “cavalo” das nossos interesses e desejos particulares para abraçar os interesses e desejos da Igreja. Não há mais o meu desejo particular, mas o meu desejo como Igreja. Papa Paulo VI nos disse certa vez “Quem não ama a Igreja, não ama Cristo”, pois ele tinha plena convicção que a Igreja Católica é fundada por Jesus, e não se pode amar Jesus, sem amar suas obras e seus mandamentos.


No evangelho de São Mateus, Jesus diz a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei A MINHA igreja, e as portas do inferno nunca prevaleceram contra ela” (Mt 16, 18). Quando Jesus disse esta frase Ele já sabia que as portas do inverno iriam se levantar contra a igreja, sabia que as heresias se infiltrariam na igreja, sabia que os homens seriam tentados a trair a igreja e muitos o fariam, Ele sabia que as seitas iriam querer derrubá-la, sabia, enfim, que o inimigo iria investir contra a igreja, assim como ele sempre investiu contra a vontade de Deus, mas entretanto, as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela!


Nestes últimos tempos, tem sido muito difícil encontrar católicos verdadeiros, muitos se dizem ser do “time”, mas estão sempre “contundidos” e nunca têm condições de jogar. São como laranjas podres, que só disseminam a podridão por onde passam, não abraçam o que o Papa fala, pelo contrário de acordo com seus próprios interesses, são os hereges de hoje, disfarçados no meio de nós.


Amados, sou completamente feliz por ser católica, mas mais ainda por viver consagrada à um carisma que me orienta a “Amar a Igreja como Cristo a ama”. È tão bom ser fiel a Palavra e amar acreditando que mesmo que as portas do inferno se levantem, elas não prevalecerão. É tão bom, juntos com os irmãos, continuar adorando o corpo e o sangue de Cristo na hóstia consagrada, pois a Palavra diz: “Pois minha carne É verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim, e eu nele.” (Jo 6, 55). É tão bom, saber que na sua humildade a Igreja não explora, mas guarda em meio a louvores os mais de 150 milagres eucarísticos e mais de 150 corpos de santos que estão intactos. É tão bom, saber que sou da geração da mulher, Maria a Nova Eva, minha mãezinha querida! (Gn 3,15 e Jo 19,25).


Enfim, apaixonadamente termino esta matéria, e testemunho que só serão católicos dos últimos tempos, deverão estar em ordem de batalha, pronto para defender a Igreja das rajadas do inimigo, mesmo que isso nos custe à vida. Tenha certeza, como nos disse Tertuliano, bispo de Cesaréia por volta do ano 200 d.C: “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.



Nádia Duarte
Membro da C. C. D. E.

Eucaristia: vontade de Deus!

“Quem ama anuncia e defende a pessoa amada”. Sabemos, porém, que só se ama aquilo que se conhece, então é desta forma que nós da Comunidade Deus Existe vamos mais uma vez, anunciar e defender o amor das nossas vidas: Jesus Sacramentado! Para isso, apresentamos a fonte e ápice da vida cristã: A eucaristia. 


A palavra eucaristia, do grego, significa ação de graças, ou seja, a comunhão é justamente a oportunidade de se fazer uma ação de graças. Este rito não foi como muitos pensam, inventado pela Igreja Católica, mas foi deixado pelo próprio Cristo, ao qual somos convocados a fazer como Ele pediu até o fim dos tempos (Veja: 1 Cor 11,26). Obediente às palavras de Jesus, a Igreja prosseguiu até os dias de hoje celebrando a vontade Dele. Em registros bíblicos observamos que os primeiros cristãos eram fiéis ao pedido de Jesus: “Eles eram perseverantes ao ensinamento dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e as orações” (At 2, 42). Mas provando a continuidade do rito eucarístico em registros históricos, escritos datados em 155 d.C, testemunham a realização da celebração eucarística, ao qual segundo São Justino, chamavam de Dia de Sol. Para tanto, o santo a observa a união da mesa da palavra e da eucaristia. 


A fim de que não sejamos negligentes com a Eucaristia, é o próprio Jesus quem nos dá o ensinamento e nos assegura a veracidade da Eucaristia, como nos narra o Evangelho de São João, capítulo 6: “Pois minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e eu nele”. 


Com toda essa maravilha, te convidamos a ser assíduo (a) à Eucaristia, e o lugar onde nós podemos receber esse alimento é a Santa Missa, ou no caso de muitas comunidades, por causa da falta de padres, a celebração eucarística. Contudo, faça o seu algo a mais, adore Jesus, ame-O nas capelas onde Ele está presente. 


Nádia Duarte Prata
Membro da C.C.D.E.










sábado, 20 de julho de 2013

Perdoar sempre

É impossível falar de cura interior sem antes falar de perdão. Este é o exercício fundamental e incontestável para quem necessita ser curado. Nenhum ser humano neste mundo é capaz de conviver sem correr o risco de se machucar e machucar os outros. Isto acontece por que todos nós trazemos feridas, que nos acompanham desde a nossa concepção, e ao longo do tempo vão se descobrindo em nós e deixando suas marcas em nossa história. Sentimentos como rejeição, culpa, e medo são apenas alguns entre tantos outros problemas que dificultam os nossos relacionamentos, e assim todos nós juntos somos como uma enorme manada de porcos-espinhos, se abraçando de forma a nos machucar uns aos outros.

Às vezes passamos a vida toda reclamando de acontecimentos negativos da nossa história, e até mesmo culpando outras pessoas pela nossa infelicidade sem sequer rever os fatos que aconteceram, para realmente descobrir o que está por traz de tudo. Na maioria das vezes temos medo de vasculhar o nosso passado, não por ter sido extremamente doloroso, mas por termos medo de descobrir que não existem culpados e que nós é que precisamos mudar nossos pontos de vista. Para a psicanálise freudiana existem questões em nossa mente que na verdade não aconteceram da maneira que acreditamos, ou até mesmo nem chegaram a acontecer. Estas questões são chamadas pela psicanálise de lembranças encobridoras, que seriam fantasias criadas em nosso inconsciente, com o objetivo de esconder uma realidade que pode ter sido dolorosa ou não. Se nem sequer temos certeza da veracidade de alguns acontecimentos da nossa história, como então podemos condenar outras pessoas pelos prejuízos que carregamos até hoje? – E se de fato existem responsáveis, será que precisamos continuar amargando a nossa minha vida com o ressentimento?

O exercício de dar e receber perdão se faz tão importante como nossas necessidades mais básicas do dia-a-dia. Não é fácil, e é exatamente por isso que precisamos de um auxílio do Céu. O nosso advogado, o Espírito Santo é que nos ajudará a reabrir os processos pelo qual já tínhamos dado a sentença final por nossa própria conta, e com a ajuda Dele nos será revelada a verdade dos fatos que se escondem ao longo da nossa história, para que possamos compreender melhor e perdoar a nós mesmos e aos outros. Quanto mais perdoarmos, mais descobriremos que é necessário perdoar, e só assim alcançaremos cura para o nosso coração, e ao mesmo tempo seremos canais de cura para os nossos irmãos.  

Enias Costa
Membro da CCDE




      

terça-feira, 9 de julho de 2013

Breve história de São Bento

Estas palavras foram escritas pelo grande Papa no ano 592; o santo monge estava morto há apenas 50 anos e estava ainda vivo na memória das pessoas e sobretudo na florescente Ordem religiosa por ele fundada. São Bento de Núrcia, com sua vida e sua obra, exerceu uma influência fundamental sobre o desenvolvimento da civilização e da cultura européia. A fonte mais importante sobre
a vida dele é o segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno. Não é uma biografia no sentido clássico. Segundo as idéias de seu tempo, ele quer ilustrar, mediante o exemplo de um homem concreto – precisamente de São Bento –, a subida aos montes da contemplação, como pode ser realizada por quem se abandona a Deus. Então nos dá um modelo da vida humana como subida ao vértice da perfeição. São Gregório Magno relata também, neste livro dos Diálogos, muitos milagres realizados pelo santo, e também aqui não quer simplesmente relatar alguma coisa extraordinária, mas demonstrar como Deus, admoestando, ajudando e também punindo, intervém nas situações concretas da vida do homem. Quer mostrar que Deus não é uma hipótese distante posicionada na origem do mundo, mas está presente na vida do homem, de todo homem.

Esta perspectiva do «biógrafo» se explica também à luz do contexto geral de seu tempo: entre os séculos V e VI, o mundo era devastado rapidamente por uma tremenda crise de valores e de instituições, causada pela queda do Império Romano, pelas invasões dos novos povos e pela decadência dos costumes. Com a apresentação de São Bento como «astro luminoso», Gregório queria indicar nesta situação, justamente aqui nesta cidade de Roma, a via de escape da «noite escura da história» (cf. João Paulo II, Insegnamenti, II/1, 1979, p. 1158). De fato, a obra do santo e, de modo particular, sua Regra, revelaram-se portadoras de um autêntico fermento espiritual, que penetrou no curso dos séculos, muito além dos confins de sua pátria e de seu tempo, o rosto da Europa, suscitando depois da queda da unidade política criada pelo império romano uma nova unidade espiritual e cultural, a da fé cristã partilhada pelos povos do continente. Nasceu justamente assim a realidade que nós chamamos de «Europa».

O nascimento de São Bento ocorreu por volta do ano 480. Provinha, assim disse São Gregório, «ex provincia Nursiae» – da região da Núrsia. Seus progenitores logo o mandaram para realizar os estudos em Roma. Ele, porém, não se firmou muito tempo na Cidade Eterna. Como explicação plenamente acreditável, Gregório indica o fato de que o jovem Bento estava incomodado pelo estilo de vida de muitos de seus colegas de estudos, que viviam de modo dissoluto, e não queria cair nos mesmos erros. Queria agradar a Deus somente; «soli Deo placere desiderans» (II Dial., Prol 1). Assim, ainda antes da conclusão de seus estudos, Bento deixou Roma e se retirou na solidão dos montes ao leste de Roma. Depois de uma primeira estadia no vilarejo de Effide (hoje: Affile), onde por certo período se associou a uma «comunidade religiosa» de monges, fez-se eremita na distante Subiaco. Lá viveu por três anos completamente só em uma gruta que, a partir da Alta Idade Média, constitui o «coração» de um mosteiro beneditino chamado «Sacro Speco». O período em Subiaco, um período de solidão com Deus, foi para Bento um tempo de amadurecimento. Lá devia suportar e superar as três tentações fundamentais de todo ser humano: a tentação da auto-afirmação e do desejo de pôr a si mesmo no centro, a tentação da sensualidade e, por fim, a tentação da ira e da vingança. Era, de fato, convicção de Bento que, só depois de ter vencido estas tentações, ele poderia dizer aos outros uma palavra útil para sua situação de necessidade. E assim, pacificada sua alma, estava em condições de controlar plenamente os impulsos do eu, para ser assim um criador de paz em torno de si. Só então decide fundar os primeiros mosteiros no vale do Anio, vizinho a Subiaco.

No ano de 529 Bento deixou Subiaco para estabelecer-se em Montecassino. Alguns explicaram esta transferência como uma fuga diante das intrigas de um invejoso eclesiástico local. Mas esta tentativa de explicação se revelou pouco convincente, já que a morte inesperada dele não induz Bento a retornar (II Diál. 8). Na verdade, ele se impôs esta decisão porque havia entrado em uma nova fase de seu amadurecimento interior e de sua experiência monástica. Segundo Gregório Magno, o êxodo do remoto vale do Anio para Montecassino – uma altura que, dominando a vasta planície circunstante, é visível de longe – reveste um caráter simbólico: a vida monástica no ocultamento tem sua razão de ser, mas um mosteiro tem também uma finalidade pública na vida da Igreja e da sociedade: deve dar visibilidade à fé como força de vida. De fato, quando, em 21 de março de 547, Bento conclui sua vida terrena, deixou com sua Regra e com a família beneditina por ele fundada um patrimônio que produziu nos séculos transcorridos, e produz ainda agora, fruto no mundo inteiro.

Em todo o segundo livro dos Diálogos, Gregório nos ilustra como a vida de São Bento estava imersa em uma atmosfera de oração, principal fundamento de sua existência. Sem a oração não há experiência de Deus. Mas a espiritualidade de Bento não era uma interioridade fora da realidade. Na inquietude e na confusão de seu tempo, ele vivia sob o olhar de Deus e justamente assim não perde mais de vista os deveres da vida cotidiana e o homem com suas necessidades concretas. Vendo Deus, entende a realidade do homem e sua missão. Na sua Regra, ele qualifica a vida monástica como «uma escola do serviço do Senhor» (Prol. 45) e pede a seus monges que «à Obra de Deus [isto é, ao Ofício Divino ou à Liturgia das Horas] não se anteponha nada» (43, 3). Sublinha, porém, que a oração é em primeiro lugar um ato de escuta (Pról. 9-11), que deve pois traduzir-se em ação concreta. «O Senhor espera que nós respondamos todo dia, com fatos, a seus santos ensinamentos», ele afirma (Pról. 35). Assim, a vida do monge se torna uma simbiose fecunda entre ação e contemplação, «a fim de que em tudo Deus seja glorificado» (57, 9). Em contraste com uma auto-realização fácil e egocêntrica, hoje mesmo exaltada, o primeiro e irrenunciável empenho do discípulo de São Bento é a sincera busca de Deus (58, 7), sobre o caminho traçado por Cristo humilde e obediente (5, 13), ao amor do qual ele não deve antepor qualquer coisa (4, 21; 72, 11); e justamente assim, no serviço ao outro, torna-se homem do serviço e da paz. No exercício da obediência transformada em ato com uma fé animada pelo amor (5,2), o monge conquista a humildade (5,1), à qual a Regra dedica um capítulo inteiro (7). Deste modo, o homem se torna sempre mais conforme a Cristo e alcança a verdadeira auto-realização como criatura à imagem e semelhança de Deus.

À obediência do discípulo deve corresponder a sabedoria do Abade, que no mosteiro assume «o lugar de Cristo» (2,2; 63,13). Sua figura, delineada sobretudo no segundo capítulo da Regra, com um perfil de espiritual beleza e de exigente empenho, pode ser considerada como um auto-retrato de Bento, pois – como escreve Gregório Magno – «o Santo não pode de modo algum ensinar diversamente de como viveu» (Diál. II, 36). O Abade deve ser ao mesmo tempo um tenro pai e também um severo mestre (2, 24), um verdadeiro educador. Inflexível contra os vícios, é, porém, chamado sobretudo a imitar a ternura do Bom Pastor (27,8), a «ajudar muito mais que dominar» (64,8), a «acentuar mais com os fatos que com as palavras tudo o que é bom e santo» e a «ilustrar os divinos mandamentos com seu exemplo» (2,12). Para estar em grau de decidir responsavelmente, o Abade também deve ser alguém que escuta «o conselho dos irmãos» (3,2), porque «mesmo Deus revela ao mais jovem a solução melhor» (3,3). Esta disposição torna surpreendentemente moderna uma Regra escrita há quase quinze séculos! Um homem de responsabilidade pública, e também em pequenos âmbitos, deve sempre ser também um homem que sabe escutar e sabe aprender do que escuta.

Bento qualifica a Regra como «mínima, escrita só para o início» (73,8); na verdade, porém, essa oferece indicações úteis não só aos monges, mas também a todos aqueles que buscam um guia em seu caminho para Deus. Pela sua medida, sua humanidade e seu sóbrio discernimento entre o essencial e o secundário na vida espiritual, ela pode manter sua força iluminadora até hoje. Paulo VI, proclamando em 24 de outubro de 1964 São Bento como padroeiro da Europa, queria reconhecer a obra maravilhosa desenvolvida pelo Santo mediante a Regra para a formação da civilização e da cultura européia. Hoje a Europa – saída há pouco de um século profundamente ferido por duas guerras mundiais e depois da queda das grandes ideologias reveladas como trágicas utopias – está em busca de sua identidade. Para criar uma unidade nova e duradoura, são certamente importantes os instrumentos políticos, econômicos e jurídicos, mas ocorre também suscitar uma renovação ética e espiritual que chegue às raízes cristãs do continente, ou então não se pode reconstruir a Europa. Sem esta seiva vital, o homem fica exposto ao perigo de sucumbir à antiga tentação de querer ser redimido por si mesmo – utopia que, de uma forma diversa, na Europa do século passado causou, como revelou o Papa João Paulo II, «uma volta sem precedentes na atormentada história da humanidade» (Insegnamenti, XIII/1, 1990, p. 58). Buscando o verdadeiro progresso, escutemos também hoje a Regra de São Bento como uma luz para nosso caminho. O grande monge permanece sendo um verdadeiro mestre de cuja escola podemos aprender a arte de viver o verdadeiro humanismo.


Fonte: Vaticano